Sobreviventes do acidente com um avião na cordilheira dos Andes confessam: chegaram a pensar em comer carne humana para não morrer.
Um avião cai numa região montanhosa. Os sobreviventes ficam isolados de tudo e de todos. Com frio, fome e sem socorro. Chegam a pensar em comer carne humana para sobreviver.
A história dramática, ocorrida em 1970 e que virou filme, voltou a acontecer agora. Também na Cordilheira dos Andes.
Uma operação arriscada: o vento sacode o helicóptero da Força Aérea chilena e põe em perigo o resgate dos passageiros de um avião que caiu na Cordilheira dos Andes.
Os sobreviventes passaram cinco dias e quatro noites isolados praticamente sem comida, beberam água extraída da neve, suportaram temperaturas abaixo de zero e temeram pelo pior.
O resgate foi bem sucedido. Dos dez ocupantes do avião acidentado, nove viveram para contar a história.
“Demorou um pouco, achamos que não ia ser daquela vez. Mas aí o helicóptero voltou. Fiz uma força mental, que nunca tinha feito na vida, para atrair a atenção dos militares: que venham, que se aproximem. Que venham, que se acerquem”, conta o engenheiro elétrico Omar Villegas, um dos sobreviventes.
Era para ser uma viagem simples, entre Puerto Montt e Junta, cidades da região sul do Chile, separadas por pouco mais de 200 quilômetros. O avião, um turbo hélice, saiu em um sábado, há duas semanas, e deveria fazer o trajeto em 1h15. Mas a 19 quilômetros do destino, veio o desastre.
O comandante da 3ª Brigada Aérea, general Hugo Peña, diz que foi muito difícil localizar o avião. A fuselagem, branca, no meio da neve, confundia as equipes. Além disso, ele afirma, o tempo na região é traiçoeiro: muda de repente e pega de surpresa até os pilotos mais experientes.
O general Peña conta que os acidentes são freqüentes na região: um avião cai a cada ano e meio, dois anos. E normalmente, as equipes de busca encontram os ocupantes mortos, quando encontram o avião.
Por isso, para ele, a operação de resgate do dia 11 de junho foi especial: nove sobreviventes. Apenas o piloto, Nelson Bahamondes, com 65 anos e mais de 40 anos de profissão, não resistiu. Sofreu uma forte pancada na cabeça. Morreu dois dias depois do acidente.
Omar Villegas conta que quando ele e os companheiros perceberam que o piloto tinha morrido, foi um choque. Entraram no avião e ficaram calados. “Percebemos que era esse o nosso destino”, ele lembra.
Refugiado da cidade de Chaitén, que dá nome ao vulcão que entrou em erupção em maio, Villegas tomou seu segundo susto em pouco mais de um mês.
O modelo do avião que caiu na montanha é um Cesna Grand Caravan, com capacidade para dez passageiros, além do piloto. Como é um avião pequeno e que faz trajetos curtos, a legislação dispensa a figura do co-piloto. Mas no dia do acidente, um dos passageiros estava sentado no lugar do co-piloto e viu como tudo aconteceu. Nós conseguimos conversar com ele.
Miguel Almonacid, de 29 anos, pai de quatro filhos, mora em um sítio. Ele conta que as condições de vôo não eram boas e que, de repente, pioraram com chuva e neve. Miguel diz que se lembra de ter gritado ao piloto para ter cuidado.
Em seguida o avião caiu. Omar, que estava mais atrás, diz que não houve nem tempo para a posição de emergência, aquela da cabeça entre as pernas, porque a asa esquerda já batia contra as árvores.
Omar se lembra que mesmo gravemente ferido o piloto dava instruções aos passageiros. Até momentos antes de morrer, dizia o que eles tinham que fazer para se proteger do frio e para serem avistados pelo resgate.
“Antes de morrer, ele pediu que lhe fechassem a boca, nada mais”, lembra Miguel, que era amigo do piloto.
Com o passar dos dias, além do frio, os sobreviventes começavam a enfrentar outro problema: a fome.
Omar tentou comer grama, mas desistiu, era simplesmente intragável. Água havia, do gelo que se acumulava ao redor do avião. Mas para tentar se aquecer um pouco, só havia uma opção. O engenheiro conta que durante três dias bebeu a própria urina. “Era o que havia de quente”, ele diz. “Não tínhamos uma cozinha, não era um piquenique”.
Quando amanheceu o quinto dia na montanha gelada, alguns passageiros começaram a pensar em uma solução dramática para a fome. Miguel conta que tinham decidido comer a carne do piloto, porque a fome era insuportável.
Perdidos e desesperados, eles lembraram do drama famoso acontecido há 36 anos, quando o avião que levava uma equipe de rugby uruguaia caiu, também nos Andes. Sobreviventes comeram carne humana. Em uma entrevista ao fantástico em 1996, um dos 16 passageiros que escaparam contou que a decisão foi difícil, mas inevitável.
“Não tivemos escolha. Você está em uma situação limite”, diz ele.
“Justo no dia em que íamos fazer isso, fomos localizados por um dos helicópteros da Força Aérea. Se isso não tivesse acontecido, talvez naquela mesma tarde teríamos começado a comer o corpo do piloto. Eu sei que não era minha hora, nem minha vez… Esse dia, sábado, 7, não era o meu dia”, conta Miguel.
Fonte: www.globo.com
Nota:
Ontem vimos uma reportagem sobre alguns tripulantes de um avião que caiu nos Andes no Chile e que ficou vários dias sem se alimentar e a última alternativa deles era comer a carne do piloto que havia morrido a alguns dias, a fome era tão intensa que eles pensaram por fim em comer a carne de um ser humano. Isso aconteceu a alguns dias atrás, mas sabemos de uma história verdadeira de um caso parecido a vários anos atrás onde os sobreviventes realmente comeram a carne dos que iam morrendo. Esse ato terrível do ser humano ocorreu diante de uma necessidade extrema pela sobrevivência.
Não existe necessidade desses atos nos paises que estão fazendo isso. São obras malignas que se iniciaram a milhares de anos e que permanecem até hoje e crê-se que continuará até que o mal seja extinto.
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